quinta-feira, 30 de junho de 2011

Terra encantada


Eu morava em lugar distante, muito distante, longe de qualquer civilização, não tínhamos contato com nada que não fosse natural. A casinha era cercada por arvores frutíferas de todos os tipos, que alem de seus frutos deliciosos, dava uma sombra sem fim em dias de calor. Um rio passava abaixo, deixando o lugar lindo e refrescante, varias vezes havia tomado banho ou pescado com apenas uma lança, pois não sabíamos que existia vara de pescar. Dessa forma a pesca era uma aventura sem fim, e nunca era pescado em grandes quantidades, pois era difícil.

No pomar as aves cantavam como se fosse um enorme criatório de aves, os cavalos eram os nossos transportes, bonitos e valentes, muitas vezes riamos por horas quando alguém ia ao chão pela suas rebeldias. Apostávamos corridas de cavalos em um corredor de areia, ficávamos horas e horas. Plantávamos muito, era o nosso maior sustento, ajudávamos nosso pai todos os dias a plantar, colher e regar a plantação. Tinha um cercado para prender os animais e ao lado um pequeno lago cheio de garças e outras espécies de aves.

Dávamos alimento aos porcos, que esfomeados corriam jogando lama para todos os lados, o que fazia com que saíssemos correndo desesperados para não se melar, as risadas era total. Eu tinha oito irmãos, coisa que não se vê fácil nos dias de hoje, e com eles, com cada um deles passei momentos especiais da minha vida. Sempre estavamos em pelo menos dois, e quase sempre competíamos e brincavam mesmo em tarefas diárias.

Já cedinho ouvíamos nosso pai gritando com a boiada, acordávamos rápido, tirávamos leite das vacas, montava os bezerros que pulavam até jogarmos pelo chão. Na cozinha tinha um forno de lenha, que fazia a comida mais gostosa e sadia do mundo. Para reabastecer a água da casa, carregávamos em alguns jegue que possuíamos algumas formas de madeira esculpidas a mão, os quais enchíamos de água.

Tínhamos um cachorro chamado bolinha, ele era bem gordinho, um amigos fiel, sempre estava com um dos 9 filhos de Antonio. Minha mãe lavava as vestes na beirada de um rio, vestes feitas de couro, muito confortáveis e leves. Em tempos quentes, tínhamos peles de animais, que nos esquentávamos. Criávamos uma grande quantidade de galinhas, que colocavam ovos espalhados todos os dias, íamos caçar onde estavam, e depois jogávamos um punhado de milho, e as galinhas se juntavam tudo ao redor do milho, chegando a subir uma nas outras, as gargalhadas nunca faltavam de quem apreciava.

Catávamos licuri e quebrávamos, as vezes cozinhávamos, e tudo era muito gostoso, subíamos em pés de coco, banana, umbu, ciriguela, banana, mamão, manga, abacate e muitos outros. Possuímos poucos vizinhos, mais confiávamos neles como irmãos. Não se precisava de portas na casa, apenas um tronco tapava a entrada para evitar que sapos, incetos e morcegos invadissem a casa durante a noite.

Dias mais tarde crescemos, tivemos nossos filhos e já apareciam cidades por perto da nossa terra encantada, hoje, grandes empresários invadiram tudo, no rio hoje é um zôo, não se tem mais fornos de lenhas por lá, moro no centro de uma cidade, onde um dia morei na tranqüilidade, prefiro hoje comer um hambúrguer que sequer pertence a minha língua nativa, acompanho com um ketchup que mais parece um nome indígena. Tenho colesterol, diabete e problema de respiração, a poluição aqui é total. Tenho inicio de obesidade e dois filhos que adoram o shopping, e de natural só conhecem o mar e o zôo. Hoje tenho 82 anos e sinto saudades dos dias antigos e das minhas terras encantadas, que o tempo e o homem deram fim.

Autor: Edmilson Rodrigues da Rocha Júnior

13 comentários:

Duda disse...

vejo que estou virando sua fã!!!!!!!
parabéns gosto da forma como brinca com as palavras!!!!!!!!

Junior Rodrigues disse...

rsrs vlw

Junior Rodrigues disse...

Não ando tendo muito tempo para criar os contos, esse mesmo foi feito em menos de 30 minutos ^^ As vezes não da nen pra corrigir todos os erros, tenho até que rever outros contos pois sei que existem erros. Mais tento mlehor a cada dia, agradeço pelo comentario.

Anônimo disse...

Muito bom...

Duda disse...

como faço para conversar com você?gostaria de sua opiniao em meus poemas.

Afrodite disse...

É você sabe criar contos, fazer isso em menos de 30 minutos não é para qualquer um. Vejo que você ainda não leva isso muito a serio.

PIB disse...

Bom... Realmente bom.

serena disse...

hum... Gostei do final, falando do homem e do poder do "tempo".

Minhas artes disse...

Gostei, para um jovem que faz isso em menos de 30 minutos em algum momento de tédio, tá exelente. Já li contos de profissionais piores.

Anônimo disse...

Não é ruin, mais nada que mereça esses comentarios... Muita gente conssegue fazer isso e até melhor.

Junior Rodrigues disse...

Galera, obrigado por todos os comentários... Duda para contato vc pode me add no msn, assim que possível poderemos conversar e tirar suas duvidas. A tarde é mais fácil de me achar no msn. Ao ultimo comentário do "comentarista" concordo plenamente com você parceiro, muita gente consegue fazer, mais poucos fazem e apenas esses não merecem comentários como esses. Agradeço a todos mais uma vez pelos comentários, fico contente que agradei a maioria.

Iza Rocha disse...

CARO AMIGO ESCRITOR, GOSTO MUITO DOS SEUS CONTOS, EM VARIOS TEXTOS VC POSSIBILITA QUE O LEITOR MERGULHE NAS ENTRELINHAS...FAZENDO COM QUE ESTE LEITOR SINTA OS MAIS DIVERSOS SENTIMENTOS: TRISTEZA, ALEGRIA, SAUDADES..REFLEXOES..TODAVIA, ACREDITO QUE EM ALGUNS CASOS ( PERCEBA QUE DIGO,EM "ALGUNS" CASOS)OS TEXTOS FICARAM UM POUCO EXTENSIVOS, CAUSANDO UM POUQUINHO DE CANSAÇO AO LEITOR..EVITE AS REPETIÇOES ISSO ENRIQUECERA OS SEUS CONTOS...MAS NO GERAL...VC É UM GRANDE ESCRITOR.CERTAMENTE, VC TEM O DOM DE ESCREVER,O DOM DE BURILAR AS PALAVRAS, DE BRINCAR COM ELAS E FAZER O LEITOR SONHAR, VIBRAR, ENTRISTECER-SE...É ISSO AÍ CARO ESCRITOR..VC ESTA NO CAMINHO CERTO...PARABENS!!!!

Junior Rodrigues disse...

Iza vlw, vejo que vc entende da coisa, vou tentar seguir seus consselhos.

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