terça-feira, 10 de maio de 2011

Que "coisa" é essa meu Deus?


Vi uma “coisa” um dias desses, que pegava um pedaço aqui, um outro ali, catava algum no chão e ingeria sem examinar, parecia uma maquina exterminadora de restos, que com muita rapidez não desperdiçava nem mesmo aquilo que aos meus olhos julgava imprestável para o consumo. Andavas ruas bairros e até cidades, parecia um carro por tamanha resistência em quilometragem rodada. Em nenhum momento demonstrava cansaço, com um saco nas costas selecionava aquilo que poderia ficar para o dia seguinte, ou objetos que poderia guardar sei lá onde.

As vezes ficava sentado em ruas movimentadas, o único momento em que estava sentado descansando, precisava utilizar a voz para fazer apelo por moedas ou qualquer outra coisa de valor. Pessoas passavam sem dar muita importância, alguns sequer olhavam, outros resolviam dar alguma coisa, e por mais que fosse pouco recebia agradecimentos e um grande sorriso como recompensa.

A noite a “coisa” não ia para lugar algum, ali mesmo arrumava alguma coisa para deitar, um papelão já era suficiente, parecia não ter amigos nem companheiros, talvez por opção. O sorriso no rosto era sempre possível notar, não era normal que a “A coisa” nunca ficasse mau humorada, principalmente por que as suas condições de vida não era das melhores. “A coisa” parecia realmente anormal, não era capaz de ser humano, consegui comprovar alguns dias depois que essas “coisa” é outra espécie, não é humana, deve ser extraterrestre.

Passando pelo bairro de Noronha em uma cidade desenvolvida, vi pessoas mau humoradas no trabalho, outros jogando alimentos de boa qualidade no lixo, alguns revoltados por ter um carro enquanto queria uma Ferrari, vi até um menino xingando a mãe por que queria um tênis Nike ao invés de Adidas. Foi então que concluir, “a coisa” é realmente outra espécie, afinal, não é possível sem dinheiro ser mais feliz do que outros com dinheiro em um mundo capitalista.


Autor: Edmilson Rodrigues da Rocha Júnior

2 comentários:

IZA ROCHA disse...

CARO, ESCRITOR, SUAS CRÔNICAS SÃO ÓTIMAS...FICO MARAVILHADA COM O OLHAR CRÍTICO QUE VC POSSUI SOBRE O NOSSO COTIDIANO...MUITO LEGAL!SOU SUA FÃ...

Anônimo disse...

Concordo...

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